Rua, palco do medo para quem é mulher. Protagonista de um espetáculo de horrores chamado machismo. Dona das sombras suspeitas e dos passos nervosos. Propagadora dos ecos repletos de insultos, ameaças, dos olhares invasivos carregados de uma luxúria descomedida. Dona da liberdade que insistem em roubar de nós.
Cada passo dado em rumo aonde se pretende chegar é permeado por pavor. Pela expectativa da próxima humilhação. Ciclo de ansiedade, medo, raiva, ódio, lágrimas. De sentir-se diminuída. Sentir-se violada. Ser violada. Ser tomada pelo braço, agredida, silenciada. Ter tomada a dignidade e ganhar em troca o trauma.
Podemos nascer rosas, mas temos que nos tornar espinhos.